A
organização da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) estava definida por
volta do século III,com a estruturação do clero secular e surgimento do clero
regular.
Em
325,o Concílio de Nicéia estabeleceu a igualdade entre os “patriarcas” (chefes
espirituais) de Jerusalém,Alexandria,Antioquia e Roma.Mas já se atribuía,desde
então,autoridade especial ao bispo de Roma.Sua supremacia era defendida com
argumentos distorcidos,extraídos dos evangelhos.
A
autoridade do bispo de Roma sobre toda a cristandade ocidental começou a ser
reconhecida por Teodósio, imperador que oficializou o cristianismo como
religião do Império Romano e que empregou pela primeira vez a palavra papa.
Pouco a pouco, esse poder foi se considerando, até ser reconhecido oficialmente
pelo imperador Valentiniano III, com a publicação do Edito da Supremacia Papal,
em 445.
Ao
longo da Idade Média, a ICAR se tornou a instituição de maior poder temporal,
controlando vastas áreas e enorme contingente populacional.
O
primeiro papa da Idade Média foi Gregório I (590-604), que se aproveitou da
falência do poder imperial na península Itálica, onde não havia governante,
para assumir o poder temporal na região Gregório I estabeleceu os direitos e obrigações
do clero, estimulou a fé pelo canto gregoriano, desligou-se da influência do
Império Bizantino e, acima de tudo, procurou converter os povos germânicos ao
cristianismo, trabalho continuado por seus sucessores. Por volta da metade do
século VIII, grande parte da população da Europa Ocidental estava sob a
influência da ICAR.
Em
756, a ICAR constituiu seu próprio Estado na península Itálica, quando Pepino,
o Breve,doou ao papado o Patrimônio de São Pedro formado por terras tomadas dos
lombardos. Com o nascimento do Estado da ICAR, o poder temporal do papa, que
passou a exercer funções de verdadeiro monarca, aumentou de forma considerada.
Pouco
a pouco, a monarquia pontifical se fortalecia e intervia cada vez mais na
escolha dos bispos. Apesar de eleitos pelo clero e pelo povo, bispos e
arcebispos deviam ter seus nomes confirmados, em Roma, pelo papa.
Para
administrar a ICAR, que contava com número cada vez maior de fieis, o papado
constituiu a Cúria Romana, espécie de secretaria geral, cujos membros mais
importantes eram os cardeais. Em nome dos fiéis, tinham a função de eleger o
papa. Os fiéis, assim, deixaram de participar dessa escolha.
Para
cobrir as despesas administrativas, o papa criou o fisco pontifical, espécie de
tesouro formado por rendas geradas nas propriedades do papado, contribuições,
taxas sobre serviços e impostos cobrados aos reinos cristãos.
Durante
a Idade Média, a igreja continuava seguindo em direção à formalidade e ao
institucionalismo.
O
papado procurava exercer sua autoridade, não somente em questões espirituais
mais também em assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram
“espiritualizar” esse período da história, no qual imaginavam o Reino de Deus
(ou a Igreja Católica Romana) espalhando sua influência e regulamentos por toda
a terra. Tal atitude resultou numa tensão constante entre os governantes
seculares e os papas pela manutenção do controle. Não obstante, com poucas
exceções, o papado mantinha a supremacia em quase todas as áreas da vida.
É
certo que nem todos aceitaram a crescente secularização da Igreja e sua
aspiração de cristianizar o mundo. Houve algumas tentativas notáveis de
reformar a Igreja, na Idade Média, e de recolocá-la no caminho da verdadeira
espiritualidade. Vários movimentos monásticos ( por exemplo, os cluníacos do
século X e os franciscanos do século XIII e até mesmo leigos (os albigenses e
os valdenses , ambos do século XII) fizeram esforços nesse sentido. Figuras de
destaque, como os místicos Bernardo de Clarival (século XII) e Catarina de
Siena (século XIV) e clérigos católicos, como John Wycliffe (século XIV) e João
Huss (final do século XIV, início do século XV) procuravam livrar a Igreja
Católica de seus vícios e corrupção e devolvê-la aos padrões e princípios da
Igreja do Novo Testamento. A Igreja de Roma, no entanto, rejeitava de modo
geral essas tentativas de reformar. Ao contrário, tornava-se cada vez mais
endurecida na doutrina e institucionalizada na tradição. Semelhante atitude
tornou quase inevitável a Reforma Protestante.
Bibliografia
de referência:
01.
ARRUDA,José Jobson de A. e PILETTI, Nelson. Toda a história.11º.ed.São
Paulo,Àtica,2002.
02.
HORTON,S.M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD,1996.
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