As
mudanças econômicas, sociais e políticas ocorridas na região dominada pelo
Sacro Império, criaram o ambiente ideal para a Reforma, mas não se pode dar a
esse movimento explicações puramente materiais ou econômicas. Central nessa
transformação é o descompasso entre as necessidades espirituais dos fiéis e a
atuação da hierarquia católica.
Na
Idade Média, a Igreja continuava seguindo em direção à formalidade e ao
institucionalismo.
O
papado procurava exercer sua autoridade; não somente em questões espirituais,
mas também em assuntos temporais. Muitos papas e bispos tentaram
“espiritualizar” esse período da história, no qual imaginavam o Reino de Deus
(ou a Igreja Católica Romana) espalhando sua influência e regulamento por toda
a terra. Tal atitude resultou numa tensão constante entre os governantes
seculares e os papas pela manutenção do controle. Não obstante, com poucas exceções,
o papado mantinha a supremacia em quase todas as áreas da vida.
A
crise interna à Igreja era caracterizada pelo comportamento imoral de parte do
clero, situação que se desenvolvera por séculos desde a Idade Média. A Simonia
era uma prática comum secular, caracterizada pela venda de objetos considerados
sagrados ou a venda de cargos religiosos. Os grandes senhores feudais compravam
cargos eclesiásticos como forma de renda para seus filhos, originando um
processo conhecido como “investidura leiga”, principalmente no Sacro Império. A
preocupação com as questões materiais, poder e riqueza, levou principalmente o
alto clero a um maior distanciamento das preocupações religiosas ou mesmo de
caráter moral.
A
Igreja desde a Idade Média procurava regular as atividades econômicas a partir
de seus dogmas, e nesse sentido condenava o lucro e a usura (empréstimo de
dinheiro a juros) inibindo a atividade mercantil burguesa.
A
burguesia comercial em plena expansão no século XVI estava cada vez mais
inconformada, pois os clérigos católicos estavam condenando seu trabalho. O
lucro e os juros, típicos de um capitalismo emergente, eram vistos como
práticas condenáveis pelos religiosos.
Por
outro lado, o papa arrecadava dinheiro para a construção da basílica de São
Pedro em Roma, com a venda das indulgências (venda do perdão).
A
venda de indulgências foi a gota d’água que desencadeou o movimento da Reforma.
Para construir a basílica de São Pedro, em Roma, Leão X negociou com o
banqueiro Jacob Függer a venda de indulgências. As indulgências eram a garantia
do perdão dos pecados e foram então oferecidas a quem pagasse por elas. Esse
abuso do poder pelo papa desencadeou o protesto de um monge, de nome Martinho
Lutero, que resultou na Reforma Protestante.
É
certo que nem todos aceitaram a crescente secularização da Igreja e sua
aspiração de cristianizar o mundo. Houve algumas tentativas notáveis de
reformar a Igreja, na Idade Média, e de recolocá-la no caminho da verdadeira
espiritualidade.
Em
outubro de 1517, Lutero afixou a porta da Igreja do Castelo em Wittenberg, as
suas 95 teses, o teor das quais é que Cristo requer o arrependimento e a
tristeza pelo pecado e não a penitência. Lutero afixou as teses ou proposições
para um debate público, na porta da Igreja, como era costume nesse tempo. Mas
as teses, escritas em latim, foram logo traduzidas em alemão, holandês e
espanhol. Antes de decorrido um mês, para a surpresa de Lutero, já estavam na
Itália, fazendo estremecer os alicerces do velho edifício de Roma. Foi desse
ato de afixar as 95 teses na Igreja de Wittenberg, que nasceu a Reforma
Protestante, isto é, que tomou forma o grande movimento de almas que em todo o
mundo ansiavam voltar para a fonte pura, a Palavra de Deus. Contudo Lutero não
atacara a Igreja Romana, mas antes, pensou fazer defesa do Papa contra os
vendedores de indulgências.
A
Reforma Protestante representou a grande transformação religiosa da época
moderna. A rigor não foi simplesmente uma reforma, pois ao romper a unidade do
cristianismo no ocidente, alterou de forma radical a estrutura eclesiástica da
Igreja Católica Romana e a doutrina da salvação.
Para
Lutero, a fé em Cristo era suficiente para obter a salvação eterna, enquanto
para a Igreja Católica ela depende também das obras de cada um na vida terrena.
“Pois é
pela graça que sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de
Deus. Não das obras, para que ninguém se glorie.” (Ef.2:8-9).
“Não por
obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, ele nos
salvou mediante a lavagem da regeneração e da renovação pelo Espírito Santo.”
(Tt.3:5).
“Sabemos
que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo,
Também temos crido em Jesus Cristo pra sermos justificados pela fé em Cristo, e
não pelas obras da lei, porque pelas obras da lei ninguém será justificado.”
(Gl.2:16).
Bibliografia
de referências:
01.
ARRUDA,José Jobson de A. e PILETTI, Nelson. Toda a história.11º.ed.São
Paulo,Àtica,2002.
02.
HORTON,S.M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. Rio de
Janeiro: CPAD,1996.
03.
Heróis da Fé, Editora CPAD.
Nenhum comentário:
Postar um comentário