“mas os
cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas, e as ambições de outras
coisas,entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.” (Mc.4:19).
A
Baixa Idade Média foi um período de grandes transformações. A Igreja Católica
(ICAR), instituição mais rica e poderosa na Europa do século XII, não escapou a
essa regra. À medida que os reis centralizavam a autoridade política e a
burguesia prosperava, ignorando as proibições da Igreja às atividades
econômicas lucrativas, o poder do papa e do alto clero-estreitamente ligado à
ordem feudal- começou a enfraquecer.
Além
disso, grupos esclarecidos de padres e fiéis passaram a exigir que o papa
fizesse reformas na Igreja; e muitos fiéis aderiram a práticas religiosas que
procuravam recuperar a essência dos ensinamentos bíblicos.
Em
1122, com o fim da Querela das Investiduras, a Igreja atingiu seu apogeu.
Inocêncio III ampliou os Estados da Igreja na península Itálica, convocou a
Quarta Cruzada, organizada pelo imperador do Sacro Império, e ajudou a subjugar
muitos reis, como o inglês João Sem-Terra. Afirmando-se representantes de
Cristo na terra, os papas passaram a dominar a política européia.
Com
a formação das monarquias nacionais, esse poder da Igreja passou a ser
questionado pelos reis. O choque ficou claro na disputa entre Filipe, o Belo,
rei da França, e o papa Bonifácio VIII, que exigia para a Igreja direito de não
pagar impostos. O conflito culminou, em 1309, com a transferência da sede do
papado para Avignon, na França.
O
papado voltou a Roma em 1377, mas no ano seguinte foram eleitos dois papas:
Urbano VI, em Roma, e Clemente VII, em Avignon.
Essa
divisão da Igreja, o Grande Cisma, foi resolvida no Concílio de Constança
(1414-1418), que elegeu um único chefe para a Igreja, Martinho V. O concílio
também julgou e condenou João Huss e Jerônimo de Praga à morte na fogueira, por
liderarem um movimento reformista na Boêmia, que denunciava a ambição do clero
por prestígio político e bens matérias.
As
transformações econômicas e sociais dos séculos XII e XIII afetaram
profundamente a ICAR, ao provocarem uma verdadeira crise da consciência
religiosa. Os valores difundidos pela Igreja eram assimilados mais facilmente
pelo mundo rural da Alta Idade Média do que pelas sociedades urbanas que se
desenvolviam. A burguesia recusava parte do pensamento religioso medieval e
adotava novos valores. Divulgava-se, por exemplo, a idéia de que a humanidade
era responsável pelo próprio destino, sem ter de se subordinar à rígida
autoridade eclesiástica.
Importante
destacar, entretanto, que na Europa daquela época a fé em Deus era um valor
inquestionável, uma crença inabalável.
As
críticas voltavam-se contra os dogmas estabelecidos pela ICAR e as práticas
religiosas.
O
acúmulo de riquezas pela Igreja criava tensões dentro da própria comunidade
eclesiástica e suscitava críticas severas entre os cristãos.
Muitos
pediam aos padres, bispos, monges e mesmo ao papa que se desligassem das
riquezas do mundo e voltassem a observar a virtude de uma vida humilde, vivendo
mais de acordo com os ensinamentos e os exemplos de Cristo e dos apóstolos.
Bibliografia
de referência:
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