“Porque
nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo
viverá da fé.” (Rm.1:17).
A
palavra justificação é oriunda do hebraico tsadeq e do grego dikaios. Significa
declarar justo pelos méritos de Cristo.
A
justificação é uma declaração de Deus, segundo a qual todos os processos da lei
divina são plenamente satisfeitos, por meio da justiça de Cristo, em benefício
do pecador que o recebe como salvador. Justificação significa mudança de
posição espiritual diante de Deus: de condenados para justificados. Esta é a
única maneira do homem ter comunhão com Deus, apresentando-se a Ele sem culpa.
A
obra redentora resultante do sacrifício expiatório, efetuado por Cristo na
cruz, propiciou a maior de todas as dádivas de Deus- a salvação do indigno e
miserável pecador.
A
lei mosaica não tinha a intenção de alcançar a justiça pelo esforço humano, mas
de revelar a justiça de Deus (Rm 8.4; 10.4,10; At 10.39). Os sacrifícios da lei
não visavam retirar os pecados, mas cobri-los temporariamente até que Cristo
viesse como o sacrifício perfeito e substitutivo. [1]
“Porque,
se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o
segundo.”
(Hb
8.7).
“Mas,
vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito
tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes
e bezerros,mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo
efetuado uma eterna redenção.Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza
de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santificavam, quanto à
purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito
eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência
das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo? E, por isso, é Mediador de um
novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões
que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da
herança eterna.” (Hb.9:11-15).
A
Igreja Católica prega a salvação pelas obras, contrariando a Palavra de Deus. A
salvação é um ato da graça de Deus, e não dos méritos humanos. (Ef.2:8-10;
Tt.2:11;3.5). A Bíblia diz que o justo viverá da fé. (Rm.1:17).
Foi
justamente esse versículo que fez com que Martinho Lutero se aprofundasse no
estudo dessa epístola. Lutero ansiava por compreender a Epístola de Paulo aos
Romanos. Porém segundo Lutero o tema da justiça de Deus, o deixava confuso e
perturbado.
Acerca
da grande transformação que ocorreu na sua vida, ele mesmo declarou:
“Apesar
de viver irrepreensivelmente, como monge, a consciência perturbada me mostrava que
era pecador perante Deus. Assim odiava a um Deus justo, que castiga os
pecadores... Senti-me ferido de consciência, revoltado intimamente, contudo
voltava sempre para o mesmo versículo (Rm 1:17), porque queria saber o que
Paulo ensinava. Contudo, depois de meditar muitos dias e noites, Deus, na sua
graça, me mostrou a palavra: “o justo viverá da fé.” Vi então que a Justiça de
Deus, nessa passagem, é a justiça que o homem piedoso recebe de Deus pela fé,
como dádiva.”
A
alma de Lutero dessa forma saiu da escravidão; veja o que ele escreveu: “Então me achei
recém-nascido e no Paraíso. Todas as escrituras tinham para mim outro aspecto;
perscrutava-as para ver tudo o que ensinava sobre a justiça de Deus. Antes,
estas palavras eram-me detestáveis; agora as recebo com mais intenso amor. A
passagem me servia como a porta do paraíso.”
“Concluímos,
pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei.” (Rm 3:28).
“Vedes,
então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.” (Tiago
2:24).
Talvez
você esteja pensando que há uma contradição entre Paulo e Tiago acerca dessa
doutrina. Pensando assim estaríamos afirmando que na Palavra de Deus há
contradição. E não há aqui nenhuma contradição. Vejamos o contexto desse texto
bíblico, baseado em Tiago capítulo 2, do verso 14 ao 26:
“Meus
irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras?
Porventura, a fé pode salvá-lo? E, se o irmão ou irmã estiverem nus e tiverem
falta de mantimento cotidiano, e algum de vós lhes disser: Ide em paz,
aquentai-vos e fartai-vos; e lhes não derdes as coisas necessárias para o
corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta
em si mesma. Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a
tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Tu
crês que há um só Deus? Fazes bem; também os demônios o crêem e estremecem.
Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura
Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o
altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras e que,
pelas obras, a fé foi aperfeiçoada, e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu
Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de
Deus.Vedes, então, que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé.
E de igual modo Raabe, a meretriz, não foi também justificada pelas obras,
quando recolheu os emissários e os despediu por outro caminho? Porque, assim
como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.”
(Tiago 2:14-26).
O
termo grego ergon, aqui traduzido por obras, é empregado por Tiago com sentido
diferente daquele que Paulo usou em Rm 3.28. Para Tiago, “obras” se refere às
nossas obrigações pra com Deus e o homem, as quais são ordenadas nas
Escrituras, e provêm de uma fé sincera, de um coração puro, da graça de Deus e
do desejo de agradar a Cristo. Para Paulo, “obras” se refere ao desejo humano
de obter mérito e salvação pela obediência à lei mediante nosso próprio
esforço, e não através do arrependimento e da fé em Cristo. Note que tanto
Paulo como Tiago declaram enfaticamente que a verdadeira fé salvífica produzirá
infalivelmente obras de amor (Tiago 1:27; 2:8;Gl.5.6; ICo 13; cf.Jo 14:15).[2]
Os
versículos 14-26 tratam do problema, sempre presente na Igreja, daqueles que
professam ter fé salvífica no Senhor Jesus Cristo, mas que, ao mesmo tempo, não
demonstram pelas obras nenhuma evidência de devoção sincera a Ele e à sua
Palavra. A fé salvífica é sempre uma fé viva que não se limita à mera confissão
de Cristo como Salvador, mas que também nos leva a obedecê-lo como Senhor.
Portanto, a obediência é um aspecto fundamental da fé. Somente quem obedece
pode de fato crer, e somente aqueles que crêem podem de fato obedecer ao
Senhor. Notem que não há nenhuma contradição entre Paulo e Tiago no tocante à
questão da fé salvífica. No sentido geral, Paulo enfatiza a fé como o meio pelo
qual aceitamos a Cristo como Salvador (Rm 3.22). Tiago enfatiza o fato de que a
verdadeira fé deve ser uma fé ativa, duradoura e que molde nossa própria
existência.[2]
A
verdadeira fé salvífica é tão vital que não poderá deixar de se expressar por
ações, e pela devoção a Jesus Cristo. As obras sem a fé são obras mortas. A fé
sem obras é fé morta. A fé verdadeira sempre se manifesta em obediência para
com Deus e atos compassivos para com os necessitados. Tiago objetiva seus
ensinos contra os que na Igreja professam fé em Cristo e na expiação pelo seu
sangue, crendo que isso por si só bastava para a salvação. Eles também achavam
que não era essencial no relacionamento com Cristo obedecer-lhe como Senhor.
Tiago diz que semelhante fé é morta e que não resultará em salvação, nem em qualquer
outra coisa boa. O único tipo de fé que salva é “a fé que opera por caridade”
(Gl 5.6).[2]
Não
devemos, por outro lado, pensar que mantemos uma fé viva, exclusivamente por
nossos próprios esforços. A graça de Deus, o Espírito Santo que em nós habita e
a intercessão sacerdotal de Cristo (Ver Hb 7.25) operam em nossa vida,
capacitando-nos a obedecer a Deus pela fé, do começo ao fim (Rm 1:17). Se
deixarmos de ser receptivos à graça de Deus e à direção do Espírito Santo,
nossa fé sucumbirá. [2]
Bibliografia
de referência:
01. Lições
Bíblicas-Jovens e Adultos- 1º Trimestre de 2006.CPAD.
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